Águas do Piauí é investigada pelo Ministério Público por falhas no abastecimento de água em Guadalupe

 





   O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades na prestação do serviço de abastecimento de água no município de Guadalupe. 

A Portaria nº 08/2026 foi assinada no dia 22 de julho pelo promotor de Justiça Diego Cury-Rad Barbosa.

A investigação tem como objetivo verificar se o abastecimento de água potável está sendo realizado de forma contínua, regular e com qualidade, além de apurar se a concessionária Águas do Piauí SPE S.A. adotou as medidas necessárias para garantir o fornecimento adequado à população.

O inquérito foi instaurado após a conversão do Procedimento Preparatório nº 08/2025, diante da necessidade de aprofundar a apuração dos fatos.

Reclamações de moradores

Segundo o Ministério Público, a investigação começou após denúncias de moradores sobre interrupções frequentes no abastecimento, baixa pressão na rede e suspeitas de alterações na qualidade da água. 

As reclamações partiram principalmente de moradores dos bairros COHAB, Vila Parnaíba e Bela Vista.

A portaria informa que os problemas teriam se intensificado após a transferência da operação do sistema de abastecimento da antiga Agespisa para a concessionária Águas do Piauí, ocorrida em junho de 2025.

Órgãos prestaram informações

Durante o procedimento preparatório, o MPPI solicitou informações à Águas do Piauí, à Prefeitura de Guadalupe, à Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Estado do Piauí (Agrespi), à Equatorial Piauí e à Vigilância Sanitária Municipal.

Em resposta, a Águas do Piauí informou que assumiu os serviços no município em 1º de junho de 2025 e afirmou que realizou manutenções emergenciais, sustentando que o abastecimento foi normalizado após as intervenções.

A Prefeitura de Guadalupe informou que manteve tratativas com a concessionária, executou reparos pontuais, disponibilizou caminhões-pipa para atendimento emergencial e implantou rotinas de controle da qualidade da água distribuída.

Já a Agrespi confirmou a ocorrência de problemas operacionais ao longo de 2025, incluindo paralisações temporárias causadas por manutenções emergenciais e intervenções para recuperação da vazão do sistema.

Pontos ainda aguardam esclarecimentos

Mesmo com as respostas encaminhadas pelos órgãos envolvidos, o Ministério Público entendeu que ainda há questões que precisam ser esclarecidas. 

Entre elas estão a regularidade do abastecimento, a qualidade da água distribuída, as medidas estruturais adotadas pela concessionária e a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização.

A portaria também aponta que a Vigilância Sanitária Municipal ainda não enviou os resultados das análises de potabilidade da água solicitadas pelo MPPI, consideradas essenciais para verificar a existência de eventual risco à saúde da população.

Outro ponto pendente envolve a Equatorial Piauí. 

A concessionária de energia informou que necessita de dados complementares para avaliar se interrupções ou oscilações no fornecimento de energia elétrica podem ter afetado o funcionamento da Estação de Tratamento de Água e de outras estruturas do sistema de abastecimento.

Prazo da investigação

Com a instauração do inquérito civil, o Ministério Público terá prazo inicial de um ano para concluir as diligências. 

Ao final da investigação, o órgão poderá arquivar o procedimento, firmar medidas extrajudiciais ou adotar as providências judiciais cabíveis, caso sejam constatadas irregularidades na prestação do serviço de abastecimento de água em Guadalupe.



Fonte - Portal Cidade Luz.
Por - Gleison Fernandes.

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