Potó: clima seco favorece aparecimento do inseto que pode causar queimaduras de até 2º grau






   Com a chegada do período mais seco no Piauí, um velho conhecido dos piauienses volta a aparecer e exige atenção redobrada: o potó. 

Pequeno, medindo cerca de um centímetro, o inseto de coloração preta e avermelhada pode provocar queimaduras químicas de até 2º grau quando entra em contato com a pele. 

Os primeiros registros costumam aumentar no mês de julho, logo após o fim do período chuvoso, quando a baixa umidade do ar favorece sua proliferação.

Apesar do tamanho reduzido, o potó (Paederus sp.) carrega na cauda uma substância altamente irritante chamada pederina, considerada mais potente que o veneno de algumas serpentes em termos de capacidade de causar lesões na pele. 

O inseto, porém, não pica nem morde. As queimaduras acontecem quando ele é pressionado ou esmagado sobre a pele, liberando a toxina.

O clima seco favorece a proliferação do potó, que também costuma ser mais ativo durante o período noturno, quando é atraído pela luz artificial dos domicílios. 

Eles liberam uma substância irritante, a pederina, quando são tocados ou 'esmagados'", explica a médica dermatologista Anna Caroline Chaves.

As lesões provocadas pelo inseto são classificadas como queimaduras químicas e podem variar de intensidade. 

Nos casos mais leves, surgem vermelhidão, ardor e coceira. Já em situações mais intensas, podem aparecer bolhas, pústulas e crostas, semelhantes às queimaduras de segundo grau.

"Pode ocorrer ardor e prurido, que, por sua vez, podem ser seguidos por vermelhidão local, bolhas pequenas (as vesículas), pústulas (pequenas coleções com pus) e crostas. 

O quadro regride geralmente em até 7 a 12 dias", afirma a especialista.

Como o potó é atraído pela iluminação, principalmente pelas lâmpadas brancas, uma das principais recomendações é substituir esse tipo de luz por lâmpadas amarelas, que atraem menos insetos.

Os acidentes também costumam acontecer durante a noite, pois, enquanto dorme, a pessoa pode esmagar o inseto sem perceber. 

Por isso, a orientação é manter portas e janelas fechadas nas primeiras horas da noite, além de olhar cuidadosamente a cama antes de dormir.

Caso ocorra o contato com a secreção do potó, a orientação é lavar imediatamente a região com água corrente e sabonete. 

Se a queimadura já estiver instalada, não se deve recorrer a receitas caseiras para amenizar a ardência.

A dermatologista explica ainda que a hidratação da pele é fundamental para acelerar a cicatrização. 

As bolhas não devem ser rompidas e a área lesionada deve ser protegida da exposição solar, já que os raios ultravioleta podem provocar manchas permanentes.

"Procure o dermatologista caso a lesão não esteja melhorando com o passar dos dias, pois pode ter desenvolvido alguma infecção bacteriana secundária ou inflamação mais exacerbada, sendo necessário o uso de tratamentos específicos", orienta Anna Caroline.

Outro ponto importante é que o uso de repelentes não costuma ser eficaz contra o potó. 

Diferentemente da muriçoca, o inseto não procura o ser humano para se alimentar. 

Os acidentes acontecem apenas porque ele passa sobre a pele e acaba sendo esmagado acidentalmente.

Como se proteger do potó

Troque lâmpadas brancas por lâmpadas amarelas, que atraem menos insetos;

Feche portas e janelas ao anoitecer e evite deixar luzes acesas próximas às janelas;

Antes de dormir, sacuda lençóis, cobertores e travesseiros;

Verifique roupas, toalhas, calçados e objetos antes de utilizá-los;

Se o inseto pousar sobre a pele, não o esmague. 

Afaste-o delicadamente com um papel ou outro objeto;

Caso ocorra contato com a secreção, lave imediatamente a região com água e sabonete;

Não utilize receitas caseiras, como pasta de dente, manteiga ou álcool, sobre a lesão;

Hidrate a pele, evite exposição ao sol e utilize protetor solar na área afetada;

Se houver bolhas intensas, dor persistente ou sinais de infecção, procure atendimento médico.



Fonte - O Dia.
Por - Isabela Lopes.
Foto - Divulgação.

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