O Piauí pode se tornar o primeiro estado brasileiro a receber uma usina de energia solar concentrada com capacidade de armazenamento térmico.
A tecnologia é considerada estratégica para ampliar a estabilidade do sistema elétrico nacional e fortalecer a matriz energética limpa do país.
O projeto está sendo desenvolvido pela empresa estatal chinesa CGN Brazil Energy em parceria com o Piauí Instituto de Tecnologia (PIT) com apoio do Governo do Estado e da Investe Piauí.
Nesta quinta-feira (28), foi lançado oficialmente em Teresina o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento de Energia Solar Concentrada (CSP) com Armazenamento Térmico.
O evento aconteceu no Senai e reuniu autoridades, pesquisadores, representantes institucionais e parceiros ligados ao setor de inovação e energias renováveis.
A proposta é avaliar a viabilidade técnica, econômica, regulatória e industrial para implantação de uma futura planta piloto de CSP no Piauí.
A tecnologia, que já é utilizada pela CGN na China, permite gerar energia solar durante o dia e armazená-la para utilização durante a noite, funcionando como uma espécie de “bateria térmica” de grande escala.
Segundo o presidente do PIT, Rafael Jales, a iniciativa surgiu após missões internacionais do Governo do Piauí, que apresentaram o potencial do estado para investimentos em energia renováveis.
“Pudemos mostrar o potencial de investimento no Piauí e a CGN acreditou nesse projeto e no PIT, que é uma instituição voltada à pesquisa aplicada para atender demandas do setor privado”, disse.
Rafael destacou que a estatal chinesa já atua no Piauí com usinas de energia solar convencional e agora pretende avançar com a tecnologia CSP.
“A CGN implantou recentemente uma usina solar concentrada na China e identificou grandes potenciais de instalação aqui em Teresina.
O PIT foi contratado para realizar a pesquisa de viabilidade técnica para implantação da primeira usina solar concentrada do Brasil aqui no Piauí”, explicou.
A expectativa é que a tecnologia traga um avanço significativo para o setor energético nacional ao permitir gerar energia solar também durante a noite.
De acordo com o presidente do PIT, a usina solar concentrada vai fechar todo o ecossistema de inovação voltado para energia renováveis no Piauí.
O projeto se chama Piauí HUB.
O Piauí foi escolhido por reunir as condições estratégicas para receber o empreendimento.
Participando do evento no Senai, a diretora de Compliance da CGN Brazil Energy, Silvia Rocha, afirmou que, além da parceria já consolidada entre a empresa e o Piauí, a região possui um dos melhores índices de irradiação solar do mundo.
“O Piauí abre portas para novas ideias e novas tecnologias. Tem um perfil de inovação que também é o perfil da CGN.
Além disso, o Estado concentra um dos melhores recursos solares do Brasil e do mundo, ou seja, é o melhor lugar para o projeto e para testar essa tecnologia da CSP”, explica.
O que é energia solar concentrada:
A energia solar concentrada se diferencia da geração fotovoltaica tradicional pela capacidade de armazenamento térmico.
Silvia Rocha, explica que a CSP basicamente gera energia durante o dia e armazena de forma despachável.
“Ela funciona como bateria, mas de forma mais eficiente”, disse.
A representante da CGN destacou ainda que a tecnologia poderá reduzir a dependência de fontes térmicas convencionais nos horários de maior consumo de energia.
“Hoje o Brasil é protagonista em energia solar e eólica, mas nos horários de pico ainda depende de fontes despacháveis, como as termelétricas.
Essa tecnologia vem como mais uma opção para diversificar o sistema e, consequentemente, baratear a energia”, afirma.
A previsão é que os estudos técnicos e de viabilidade para implantação da planta piloto no Piauí seja entregue em seis meses.
Os pesquisadores também vão elaborar uma base comparativa de dados climáticos entre o Piauí e a China, identificar tecnologias compatíveis, analisar fornecedores nacionais e propor recomendações regulatórias para integração da CSP ao mercado brasileiro de energia.
Além do PIT, da CGN Brazil Energy e da Investe Piauí, o projeto também recebe o apoio da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade Estadual do Piauí (Uespi), Instituto Federal do Piauí (Ifpi), além do Senai-PI e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
Fonte - O Dia.
Por - Maria Clara Estrêla e Érica Pessoa.
Foto - Nathalia Amaral/O Dia.

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