A decisão da APPM de estabelecer um teto de R$ 350 mil para a contratação de shows com recursos públicos já começa a gerar efeitos práticos no Piauí.
Em Angical do Piauí, a prefeitura cancelou a apresentação do cantor Léo Santana, prevista para o dia 23 de julho de 2026, durante o aniversário do município.
Segundo nota oficial divulgada nas redes sociais, o show não será realizado porque o cachê, estimado em R$ 650 mil, ultrapassa o limite definido em assembleia pela APPM.
A medida passa a valer a partir de 1º de julho e foi adotada para evitar disputas entre municípios e possíveis questionamentos de órgãos de controle.
Confira nota ao fim da reportagem.
A proposta teve ampla adesão dos prefeitos e deve contar com o respaldo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) e do Ministério Público, como forma de estabelecer critérios para os gastos públicos diante da alta dos cachês artísticos.
Evento poderia custar R$ 1,2 milhão
Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito de Angical, Bruno Neto, que está em São Paulo para tratamento de leucemia, detalhou que o custo total do evento ultrapassaria R$ 1,2 milhão ao incluir exigências contratuais, estrutura e outras atrações.
“Eles mandaram um pré-contrato com exigências de estrutura, carro blindado, quatro camarins e mais de R$ 150 mil só nisso.
Quando somei com outras bandas e estrutura, chegava a R$ 1,2 milhão”, afirmou.
O gestor disse que avaliou os custos e classificou o valor como incompatível com a realidade do município.
“Uma cidade como Angical gastar R$ 1,2 milhão em uma noite é desperdício de dinheiro público.
Não tem cabimento”, declarou.
Segundo ele, mesmo com apoio de parlamentares, o município ainda teria que investir cerca de R$ 700 mil de recursos próprios.
Eu só consegui chegar a R$ 500 mil com ajuda.
Teria que tirar R$ 700 mil do próprio município.
Não tem cabimento.”
Dinheiro será usado na saúde
O prefeito afirmou que os recursos inicialmente previstos para o evento serão redirecionados para a área da saúde, considerada prioridade.
“O valor que eu ia gastar com esse evento, eu vou comprar uma van nova para transportar pacientes oncológicos e pessoas que fazem tratamento em Teresina.
Isso é prioridade.”
Bruno Neto também citou a realidade enfrentada por pacientes do SUS como fator decisivo.
“Quando você vai ver a fila de pacientes oncológicos ou de hemodiálise, você entende onde o recurso público precisa estar.”
Ele acrescentou que pretende reduzir ainda mais os gastos com festas no município.
“Enquanto eu for prefeito, a gente vai trabalhar com cachês bem menores, em torno de R$ 200 mil, e olhe lá.”
“Voltar atrás foi responsabilidade”, diz prefeito
O gestor reconheceu que houve expectativa da população para a realização do show, mas afirmou que rever a decisão foi necessário.
“Eu gosto de festa, sou apaixonado por isso, mas não é dinheiro meu, é dinheiro do povo.
Voltar atrás foi um ato de responsabilidade.”
Ele também criticou o aumento dos cachês nos últimos anos.
“Em 2024, pagamos R$ 180 mil por um show que hoje custa R$ 500 mil.
Está virando algo totalmente inviável.”
Teto busca conter alta dos cachês
Durante a assembleia da APPM, prefeitos relataram dificuldades para equilibrar a pressão popular por grandes atrações com a capacidade financeira das cidades.
Segundo o presidente da entidade, Pompílio Evaristo, os cachês têm crescido de forma “exponencial”.
A definição do teto de R$ 350 mil busca criar um parâmetro comum entre municípios de diferentes portes e evitar que gastos com eventos comprometam serviços essenciais.
Apesar do cancelamento do show principal, a prefeitura de Angical informou que o aniversário da cidade será mantido, com uma programação mais enxuta.
“Vai ter festa, sim, mas dentro da nossa realidade.
O foco é garantir saúde, educação e dignidade para a população”, concluiu o prefeito.
Fonte - Cidadeverde.com
Foto - Redes Sociais.
Por - Izabella Lima.

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