Grávida e dois filhos morrem em desabamento em Barras enquanto 50 casas populares estão abandonadas






   Antônia Carla Pereira Araújo, 34 anos, grávida de sete meses, usava as redes sociais para pedir ajuda. 

Queria uma casa. 

Uma moradia digna para criar os sete filhos. 

Na madrugada desta segunda-feira (20), a estrutura precária onde vivia desabou no bairro Vila Franca, em Barras, no norte do Piauí. 

Ela morreu. 

Morreram também dois de seus filhos , Lucas Miguel, de 6 anos, e Antônio Francisco, de 8. 

O bebê que esperava não chegou a nascer.

O que torna a tragédia ainda mais dramática é o que estava a poucos quilômetros dali: 50 moradias populares construídas com recursos federais, abandonadas há pelo menos 15 anos no mesmo município. 

A denúncia é da vereadora Emília Costa (PSDB), que identificou 36 unidades no Residencial Morada de Barras e 14 no Residencial São Francisco completamente fechadas e deterioradas. 

Segundo a parlamentar, os beneficiários chegaram a assinar o recebimento dos imóveis, mas jamais os ocuparam de fato.

"Trata-se de recursos federais e do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR). 

Se há 50 casas paradas enquanto famílias sofrem sem moradia, o MPF precisa intervir para que a Caixa Econômica Federal realize a retomada desses imóveis", afirmou a vereadora, que já protocolou pedido de audiência pública e acionou o Ministério Público Federal para investigar a omissão na fiscalização dos contratos por mais de uma década.

A proposta em discussão na Câmara Municipal de Barras prevê a retomada compulsória dos imóveis, sua recuperação e redistribuição a famílias em situação de vulnerabilidade. 

Se a medida tivesse sido adotada antes, Antônia Carla e seus filhos poderiam ter sido contemplados. 

Ela se encaixava exatamente no perfil dos programas habitacionais federais, mãe solo, sem renda fixa, vivendo em estrutura de risco.

O cenário de Barras não é isolado. Segundo o Dados Piauí, da Secretaria de Planejamento (Seplan), em 2022, cerca de 124 mil pessoas no estado estão sem moradia. 

A morte de Antônia Carla, seus dois filhos e o bebê que carregava se soma a esse número de famílias que vivem entre o déficit habitacional e a burocracia na gestão dos programas que deveriam resolvê-lo.

O Portal O Dia entrou em contato com a Prefeitura de Barras para obter esclarecimentos sobre as moradias abandonadas e os critérios de distribuição dos imóveis de programas federais administrados pelo município. 

Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. 

O espaço permanece aberto para manifestação.


Fonte - O Dia.
LFoto - Redes Sociais.

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