Fim da escala 6x1: Governo envia projeto de lei ao Congresso em regime de urgência; veja próximos passos
O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional, em regime de urgência constitucional, o projeto de lei que propõe o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal máxima para 40 horas, com a garantia de dois dias de descanso remunerado.
O texto foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União na noite desta terça-feira (14) e passa a tramitar em regime de urgência, com prazo de até 45 dias para análise inicial na Câmara dos Deputados.
A proposta substitui o modelo atual pelo chamado regime 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.
A definição dos dias de folga poderá ser feita por meio de negociação coletiva, respeitando as especificidades de cada atividade.
O projeto também assegura que a redução da jornada não implicará diminuição salarial.
Em manifestação nas redes sociais, o presidente Lula destacou o envio da proposta em caráter de urgência e afirmou que a medida busca ampliar a qualidade de vida da população.
Segundo ele, a mudança representa mais tempo para o convívio familiar, o lazer e o descanso.
“A proposta devolve tempo aos trabalhadores e trabalhadoras: tempo para ver os filhos crescerem, para o lazer, para o descanso e para o convívio familiar.
Um passo para um país mais justo e com mais qualidade de vida para todos”, escreveu o presidente.
O projeto estabelece a substituição da escala de seis dias de trabalho por um de descanso pelo modelo de cinco dias trabalhados e dois de folga.
De acordo com o governo, a regra terá aplicação ampla e incluirá categorias como trabalhadores domésticos, comerciários, aeronautas e atletas.
O texto também determina que o limite de 40 horas semanais será aplicado a regimes diferenciados e escalas especiais.
No Congresso, a tramitação ocorre paralelamente à Proposta de Emenda à Constituição apresentada pela deputada Erika Hilton, que prevê jornada máxima de 36 horas semanais.
O relator da proposta, Paulo Azi, deve apresentar parecer na Comissão de Constituição e Justiça.
Já o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o cronograma da PEC segue sem alterações, mesmo após o envio do projeto do Executivo.
Próximos passos no Congresso
O projeto começa a tramitar pela Câmara dos Deputados, onde deve ser analisado em até 45 dias por conta do regime de urgência.
Caso o prazo não seja cumprido, outras votações podem ficar travadas.
A condução do tema depende das lideranças do Congresso.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que a análise seguirá o ritmo definido pela Casa.
A mesma dinâmica se aplica ao Senado, caso o texto avance.
Como funciona a tramitação
Após chegar à Câmara, o projeto passa pela designação de um relator, responsável por apresentar parecer.
Nessa fase, deputados podem propor alterações no conteúdo.
Se aprovado por maioria simples, o texto segue para o Senado, onde também pode ser modificado.
Em caso de mudanças, retorna à Câmara.
A versão final é enviada ao presidente para sanção, com possibilidade de vetos que podem ser analisados pelo Congresso.
Veja o que prevê o projeto de lei:
Jornada semanal: limite passa de 44 para 40 horas
Descanso ampliado: ao menos dois dias de repouso semanal remunerado
Novo padrão: consolidação do modelo 5x2 e redução das horas trabalhadas
Salário protegido: vedada qualquer redução salarial
Abrangência ampla: inclui domésticos, comerciário, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias abrangidas pela CLT e leis especiais.
Aplicação geral: limite de 40 horas passa a valer também para escalas especiais e regimes diferenciados
Flexibilidade: mantém escalas como 12hx36 por acordo coletivo, respeitada a média de 40 horas por semana.
Fonte - O Dia/Presidência da República.
Foto - Marcelo Camargo/Agência Brasil.

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