Em pouco mais de dez anos, dois pacientes assistidos no Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu foram mortos nas dependências da instituição, ambos em situações semelhantes.
Em 2015, um paciente foi encontrado morto nas primeiras horas do dia 25 de maio daquele ano, em um dos quartos do hospital; a suspeita recaiu sobre um companheiro de quarto.
O caso mais recente ocorreu na madrugada da última quinta-feira (26) e vitimou Pedro Araújo da Silva, de 29 anos.
Os dois episódios têm em comum a falta de monitoramento dos assistidos: no primeiro, a morte só foi percebida ao amanhecer; no segundo, a descoberta ocorreu após a fumaça se espalhar pela ala onde aconteceu o crime.
No caso de Pedro, os dois homens suspeitos de cometer o crime foram presos e encaminhados para uma ala da Cadeia Pública de Altos (CPA).
Eles, no entanto, ainda podem ser considerados inimputáveis pela Justiça, já que têm diagnóstico de esquizofrenia.
A morte reacendeu o alerta de entidades e profissionais do campo da saúde mental sobre o fim de hospitais psiquiátricos, como o Areolino de Abreu.
No mesmo dia em que ocorreu o último crime, uma equipe do Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) realizou uma vistoria no Hospital Areolino de Abreu e constatou uma série de problemas estruturais e falhas na segurança da unidade.
Segundo o presidente do CRM-PI, Dr. João Moura Fé, as obras no hospital estão paralisadas, com apenas 25% de execução.
Também foi constatada a ausência de enfermeiro no turno da noite e um número insuficiente de médicos para garantir assistência adequada aos pacientes, especialmente em um ambiente que demanda vigilância permanente.
“A unidade se encontra em péssimas condições estruturais, sem segurança armada, contando apenas com segurança patrimonial e agentes auxiliares, que atendem aos pacientes.
Vamos notificar a Secretaria de Saúde do Estado e solicitar providências, para que haja mais segurança para os médicos, demais profissionais de saúde e para os pacientes”, declarou o presidente do CRM.
O doutor em Psicologia Social e coordenador do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Mental e Atenção Psicossocial da UESPI, Emanoel José Batista de Lima, defendeu o fim do Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu.
Para ele, esses espaços são semelhantes a campos de concentração, sendo necessário o fechamento dessas unidades e o encaminhamento dos pacientes para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui, por exemplo, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs).
A equipe do CRM-PI, em nota, alertou que, em 2023, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomendou a extinção dos manicômios psiquiátricos no país, dentro da política antimanicomial do Governo Federal.
A diretriz prevê a transferência de pessoas internadas, inclusive aquelas que cumprem medidas de segurança determinadas pela Justiça, para a Rede de Atenção Psicossocial, uma vez que hospitais psiquiátricos, em muitos casos, não dispõem de estrutura física adequada nem de pessoal treinado para lidar com pacientes em situação de risco.
Fonte - O Dia.
Foto - Ascom/Governo do Piauí.

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