R$ 10 milhões em medicamentos sem comprovação técnica colocam a gestão Cristiano Brito, em Cocal, na mira do MPF






   A saúde pública de Cocal do Piauí, município administrado pelo prefeito Cristiano Brito e a vice Adriana Luiza, entrou no centro de uma denúncia de alta gravidade que já chegou ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público do Estado do Piauí e à Controladoria-Geral da União. 

O documento aponta indícios consistentes de irregularidades na contratação de medicamentos pela Prefeitura de Cocal, com cifras que ultrapassam R$ 10,3 milhões em pouco mais de um ano.

O valor por si só chama atenção. 

O modo como esses contratos teriam sido firmados, mais ainda. 

Segundo a denúncia, a administração municipal celebrou uma sequência de contratos com a mesma empresa fornecedora, totalizando aproximadamente R$ 10.365.254,90 para aquisição de medicamentos e insumos. 

O problema central não é apenas o montante: é a ausência de lastro técnico, de planejamento e de comprovação material da entrega.

Conforme narrado aos órgãos de controle, não há estudos técnicos preliminares, levantamento de consumo histórico, projeções de demanda, tampouco análise epidemiológica que sustentem os valores contratados. 

Em termos práticos, a Prefeitura teria comprometido milhões do orçamento da saúde sem demonstrar quantos pacientes seriam atendidos, qual o estoque existente ou qual a real necessidade da rede.

A denúncia descreve um padrão repetitivo: contratos iniciais robustos, seguidos por novos ajustes e “saldos remanescentes” que ampliam os gastos, sempre com a mesma empresa. 

Tudo isso mesmo com o Município reconhecendo oficialmente situação de calamidade financeira. 

Ainda assim, a gestão teria continuado a assumir despesas vultosas.

O que deveria ser planejamento virou, segundo a peça, cheque em branco. 

O que deveria ser controle virou papelada. 

E o que deveria ser remédio para a população pode ter se transformado em prejuízo aos cofres públicos.

Outro ponto crítico é a compra de grandes quantidades de medicamentos com prazo de validade reduzido, antibióticos, xaropes e itens que exigem controle rigoroso de estoque e distribuição. 

Medicamento vence, estraga, exige rastreabilidade.

Sem registros claros de entrada em almoxarifado, sem relatórios de distribuição às unidades de saúde e sem inventários confiáveis, cresce a suspeita de desperdício, vencimento e descarte de produtos pagos com dinheiro público.

Mais grave: a denúncia aponta que os pagamentos estariam lastreados apenas em notas fiscais, empenhos e comprovantes bancários. 

Não há termos de recebimento definitivo, nem documentos que comprovem a entrega física efetiva dos medicamentos. 

Em outras palavras, há indícios de que se pagou sem provar que se recebeu.

O prefeito, a secretária municipal de Saúde e o secretário de Administração são citados como responsáveis pelos atos administrativos questionados. 

A denúncia pede auditoria completa, levantamento físico de estoque, rastreabilidade de lotes, conferência de validade e apuração do possível dano ao erário.

Nos bastidores da cidade, a percepção é antiga: contratos elevados, transparência insuficiente e controle frágil. 

Se as suspeitas se confirmarem, o caso extrapola a má gestão, pode configurar desperdício deliberado de recursos da saúde, área que deveria ser prioridade absoluta.

Agora, a palavra está com o Ministério Público e os órgãos de controle. 

Cocal aguarda respostas. 

E, mais do que respostas, exige respeito com o dinheiro público e com a própria saúde da população.


Fonte e Foto - Folha Expressa.

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