Dinheiro da educação de Cocal-PI banca passagem aérea e coloca gestão de Cristiano e Adriana sob investigação do MPF






   No município de Cocal do Piauí, administrado pelo prefeito Cristiano Brito e Adriana Luiza, a educação pode até faltar em sala de aula, mas sobra quando o assunto é bancar conforto de autoridade. 

Uma denúncia enviada ao Ministério Público Federal escancara uma prática que transforma verba federal em algo muito parecido com um caixa de reembolso pessoal.

O dinheiro do Salário-Educação, que por lei deveria chegar à escola, ao aluno e ao professor, teria feito um desvio curioso de rota. 

Em vez de quadro, merenda ou livro, o recurso foi parar no ressarcimento de passagens aéreas adquiridas pela secretária municipal de Educação, Adriana Luiza, que também ocupa o cargo de vice-prefeita. 

Em Cocal, ao que parece, acumular cargo também acumula prioridade.

O roteiro do gasto beira o deboche institucional. 

O pagamento foi realizado antes mesmo da viagem acontecer. Primeiro o dinheiro sai. 

Depois, se a viagem ocorrer, ótimo. 

Se não ocorrer, paciência. 

O erário que se vire. Planejamento virou artigo de luxo.

Para tentar dar aparência de normalidade, a despesa foi lançada como pagamento a empresa de passagens aéreas. 

Só esqueceram de combinar com a realidade. 

O dinheiro foi transferido diretamente para pessoa física. 

Não foi erro de digitação, foi maquiagem. 

Daquelas que não resistem a uma luz mais forte.

Licitação? Não teve. 

Pesquisa de preços? Não existe.

Justificativa técnica? Nenhuma. 

A Lei de Licitações, nesse episódio, foi tratada como um detalhe incômodo que atrapalha a pressa de quem manda. 

O recado é claro: quando o interesse é pessoal, a burocracia some.

E como se não bastasse, não há prova robusta de que a viagem sequer ocorreu. 

Nenhum cartão de embarque, nenhum certificado, nenhum documento capaz de provar que o dinheiro público financiou algo além da boa vontade administrativa. 

O município pagou, mas não comprovou. 

Um clássico.

Enquanto isso, a realidade das escolas segue conhecida e ignorada. 

Falta estrutura, falta material, falta investimento. 

Mas não faltou recurso para resolver a vida de quem já ocupa o topo do poder municipal. 

A educação, mais uma vez, ficou em último lugar na fila das prioridades.

Agora o caso está sob análise do Ministério Público Federal. 

Caberá ao órgão investigar se o que parece desvio é, de fato, desvio, e se o que parece abuso é apenas mais um capítulo da banalização do dinheiro público. 

Se confirmadas as irregularidades, o mínimo esperado é devolução do dinheiro e responsabilização dos envolvidos.




Fonte e Foto - Folha Expressa.

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