CCJ aprova PEC que pode proibir aborto legal no Brasil; entenda







   A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pode restringir o aborto no Brasil, mesmo nos casos que hoje são permitidos por lei. 

O texto foi aprovado por 35 votos a favor e 15 contra e agora seguirá para análise de uma comissão especial antes de ser votado nos plenários da Câmara e do Senado.

A PEC inclui a expressão "desde a concepção" no artigo da Constituição que trata do direito à vida. Segundo os defensores da proposta, isso significaria que o direito à vida seria garantido desde o momento da fecundação, o que, na prática, proibiria qualquer tipo de aborto no Brasil, independentemente das circunstâncias.

Hoje, o aborto é permitido no Brasil em três situações:

- Gravidez resultante de estupro;

- Risco de vida para a mãe;

- Anencefalia fetal (malformação do cérebro do feto).

Esses casos estão previstos no Código Penal e foram reafirmados em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

A proposta, originalmente apresentada em 2012 pelo ex-deputado Eduardo Cunha, é defendida por grupos que acreditam que a vida deve ser protegida desde a concepção. 

Segundo Cunha, "as garantias da inviolabilidade do direito à vida devem ser estendidas aos fetos".

O que acontece agora

Com a aprovação na CCJ, a PEC será analisada por uma comissão especial que será criada para discutir o texto em detalhes. 

Depois, a proposta precisará ser votada em dois turnos no plenário da Câmara, onde são necessários 308 votos favoráveis. 

Se aprovada, seguirá para o Senado, onde também precisará ser votada em dois turnos.

Se aprovada em definitivo, a PEC pode revogar os direitos ao aborto nos casos previstos na legislação atual, o que preocupa especialistas e defensores dos direitos das mulheres. 

Para eles, a medida restringe o acesso a cuidados de saúde essenciais e ignora situações delicadas enfrentadas por mulheres.

Outros projetos relacionados ao tema também têm gerado discussões. 

Em junho, a Câmara aprovou urgência para um projeto que equipara aborto a homicídio, mas o texto ainda não foi votado no plenário.

No ano passado, o STF iniciou a análise de uma ação para descriminalizar o aborto feito por mulheres com até 12 semanas de gestação, mas o julgamento foi suspenso. 

AO ministro Luís Roberto Barroso, atual presidente do STF, já declarou que criminalizar o aborto é "uma péssima política pública", pois afeta principalmente mulheres pobres, obrigadas a recorrer a métodos inseguros.

Fonte - O Dia
Fotos - 1 O Dia
     2 Vinicius Loures/Câmara dos Deputados.

Comentários